«Uma visão da conjuntura nos anos pós Golpe de 1964 e a missão dos grupos de oposição sindicalista revolucionários» (Voz Operária )

No caminho da história na retomada do Sindicalismo Revolucionário da Confederação Operária Brasileira…

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1967 Dezembro – Jornal O Protesto (RS)

«Arrocho» Salarial

Todos os governos, quando tratam de «botar em ordem» as finanças do país, a primeira medida que adotam é congelar ou regulamentar os salários da classe trabalhadora.

O Brasil, não sabemos se por imitação, também adota idênticas medidas, o que não impede que, por sua parte realize despesas, que nada dizem a favor de uma boa política anti-inflacionária,

No entanto a classe trabalhadora é compelida e obrigada a restringir seu nível de vida, na espera de um amanhã mais venturoso «para todos», o governo dispende grande quantidade em manobras militares desnecessárias; em aumento dos corpos repressivos; na aquisição de armas e elementos de combate, mantendo inclusive alguns obsoletos e prescindíveis (porta-aviões «Minas Gerais») e sobretudo aumenta a quantia de sua excessiva burocracia e os proventos que a mesma lhe são estipulados.

Por que a classe trabalhadora, produtora da riqueza existente, tem de aceitar uma política que le contraria?.

Como não acontece igual aos que são meros consumidores da riqueza que não produzem?.

Que moral pode ter um governo que impõe sacrifícios ao trabalhador, enquanto para si e seus servidores não adota uma política semelhante?.

Por que o peso do sacrifício há de recair sobre o produtor?.

Formulamos estas perguntas, ainda que sabendo que nenhum governo seguirá política diferente, porque o mal está nele mesmo.

As conseqüências adversas são para à classe trabalhadora, pois isso possibilita que os governos possam continuar suas vidas sem «arrocho»

Página 8 O PROTESTO Dezembro de 1967

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GRUPOS DE OPOSIÇÃO SINDICALISTA REVOLUCIONARIA

Infinitas razões existem para combater a estrutura sindical brasileira, no seu desenvolvimento. Hoje essa razões são aumentadas pelo planejamento e desenrolamento do chamado «Dia do Protesto».

A ausência da classe trabalhadora nas deliberações que levaram os «líderes sindicais» a marcar essa data de luta, e em todas as manifestações reivindicatórias, mostra a falta de interesse na .vida dos sindicatos existentes no Brasil e psicologicamente todo movimento operário não conta com o apoio da classe que pretende beneficiar.

Por outra parte os «líderes sindicais», na sua maior parte, políticos militantes ou aspirantes, tendem mais a procurar o apoio dos políticos, para essas medidas reivindicatórias e não o dos trabalhadores, em cujo nome se apoiam. Isto afasta o trabalhador do sindicato pois, com razão, não sente no mesmo a defesa do seu interesse.

A primeira medida que se impõe é lutar pelo rompimento da submissão sindical ao Estado, através hoje do Ministério do Trabalho.

Igualmente o isolamento dos políticos da vida sindical e colocar o Sindicato na sua verdadeira missão, longe de concursos de beleza, bailes, missas e outras atividades que distraem o trabalhador, retirando-o de seus verdadeiros problemas.

Esta missão é que incumbiria aos grupos de oposição sindicalista revolucionária, os quais só desapareceriam após conseguir o objetivo que teriam por missão: Libertar os Sindicatos de tutelas alheias a sua missão.

No princípio o Grupo não teria divisão profissional, mas posteriormente, na medida que de um ramo ou atividade houvesse número suficiente de elementos, seriam formados grupos por profissão.

Quando numa localidade existisse mais de um Grupo poderia se formar uma federação local, composta por representantes diretos dos Grupos existentes.

A relação entre os Grupos do mesmo Estado e da Nação seria realizada através da Federação Estadual e Nacional.

Sendo à base de relações o federalismo, todas as determinações teriam de ser adotadas por discussão dos componentes dos Grupos e não unicamente pelos que se achem a frente dos cargos diretivos, pois a estes fica a realização prática dos acordos adotados pela base orgânica, tática que, uma vez existentes os Sindicatos livres, seria sua norma habitual.

Noutras oportunidades voltaremos ao tema, pois este ainda está longe de ser esgotado. A observação do triste papel que estão realizando os Sindicatos no Brasil e particularmente em Porto Alegre, me sugere os comentários que, a continuação, vou expor lhes:

Os Sindicatos nasceram como órgãos de luta da classe operária e de defesa contra os abusos do capitalismo. Ainda hoje esta é sua missão em todo mundo.

Onde os Sindicatos se acham baixo a férula do Estado (Portugal, Espanha, Rússia e países totalitários) os «dirigentes», colocados a frente dos mesmos, procuram apresentar o Sindicato como cumpridor de seu papel histórico.

No Brasil, sem rubor nenhum, os «líderes sindicais» vêm ha longo tempo falseando o papel do Sindicato nas lutas sociais, fazendo dos mesmos um clube social a mais com organização de torneios esportivos, bailes, concursos de beleza, missas e até banquetes-homenagens a políticos, governantes e autoridades militares.

Esta é a razão pela qual no Brasil a classe trabalhadora não está interessada na vida sindical.

É iniquidade e uma vergonha a tergiversação que os chamados «líderes sindicais» vêm fazendo do papel que o Sindicato tem a preencher.

Hoje vamos ressaltar o Sindicato dos Empregados de Banco e Estabelecimentos de Crédito, o qual, na época do «Rei Momo», as passeatas de protesto e reivindicação as convertia em vulgar palhaçada e hoje a função da Diretoria é a organização de bailes e outras atividades que degradam o.Sindicato que tome, a seu encargo tais funções.

É preciso que os trabalhadores se disponham criar seus próprios órgãos de luta e desmascarem os que transformaram os Sindicatos em espetáculo circense. Só assim a classe trabalhadora recuperará a personalidade precisa para alcançar o respeito que, como classe, lhe corresponde. ..

Manoel (Fernandez) Jornal O PROTESTO, Pagina 8, Porto Alegre, 1967 (Dezembro).


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